O que se espera do vento?

Ando pelas mesmas ruas que sempre andei e me pergunto como pode o concreto dar luz a carne.
e não qualquer carne, mas uma que pensa, que sente e que fala.
em cada esquina ele sussurra algo que não ouço, mas sei ser a verdade. se busco, é aquilo que me escapa, sempre atrás, sempre a espreita de minhas costas, sempre na periferia da visão, do objeto focado, teimosa e invisível por definição, se escondendo atrás das coisas, à suas sombras.
parece que ela brinca com o significado da revelação, ignorante à minha ânsia, ou então plena em uma atenção que está muito além da que eu posso oferecê-la.
mas veja, ouça, o vento mudou de direção: lá ela está.
como grama no asfalto, é vida onde menos se espera, contra a lei do bom senso de esperar aquilo que se sabe. o real: é impossível saber.

Comentários