Sempre lá


Quando eu sinto que não tenho o que sentir, gosto de abrir jornais em páginas aleatórias e ler trechos soltos de entrevistas antigas para beber um pouco das outras pessoas.

Talvez as respostas avulsas ensinem tão bem fora de seu contexto quanto qualquer exemplo de convívio onde exista gentileza. Talvez o contexto sufoque, restringindo o que se pode ser no que se é, e nada mais. Talvez os fatos sejam duros.

O que sei é que encontro ali depositados signos de paixão e de sentimento, daqueles que são o traço inequívoco de uma humanidade que ama a vida mesmo sem querer.

Se for verdade que a poesia reside no concreto e as possibilidades são asfixiadas ao cair da noite, então restará a nós apenas uma coisa: amar a tudo o que existe. Sem limites ou preconceitos.

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