Da carne e do espírito
sabe esses dias em que o corpo desarma?
pede um café, acende um cigarro e todo o horizonte se constringe e se expande
sente o tempo do firmamento como se fosse o seu próprio, rodando tão devagar que só assim pra não despencar
e mesmo assim despenca
e despenca
e cai e não deixa de cair
e todo o espaço abaixo é todo o espaço que se tem,
mas não é todo o espaço que um dia se terá
e nele brilha o seu reflexo, sombreado, sujo, extraterrestre de brilhantina
que clama, mântrico:
"absolutamente nada te prepara para a vida"
absolutamente nada
absolutamente nada
absolutamente nada
e mesmo assim, quando ela se abre
você a toma no peito e estende os braços em oração
"venha, me tenha, mesmo que queime"
Comentários
Postar um comentário