Como ser um anticapitalista no śeculo XXI?
Em menos de 200 páginas, o cientista social Erik Olin Wright busca a maior precisão pragmática possível ao pensar alternativas viáveis para o sistema capitalista, suas chamadas “utopias reais”. Apesar de curto, o livro consegue explanar, didaticamente, pontos-chave para compreender os princípios de uma postura anticapitalista, seus motivos, objetivos e maiores obstáculos nos dias de hoje. Como o próprio título sugere, ‘Como ser um anticapitalista no século XXI’ é mais um manual sociopolítico do que um manifesto nos moldes teórico-poéticos dos escritos de Marx, Engels ou Hakim Bey.
A principal teoria do livro, desenvolvida ao longo dos seis curtos, porém densos, capítulos, é de que o capitalismo faz um péssimo trabalho na distribuição das riquezas que produz e, sistematicamente, cria enormes imbróglios na manutenção da democracia e no desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao bem estar social. Wright, apesar de extremamente pontual em sua crítica, se mostra um tanto cético quanto a possibilidade de uma revolução imediata. Mesmo em relação a revolução gradual, alternativa considerada moderada, ele se mostra duvidoso por ser um processo de difícil previsão ou possibilidade de controle por parte dos agentes sociais, afinal, são incontáveis as variáveis em jogo. Wright reconhece a complexidade da questão e admite as dificuldades em se tratar de um tema tão grandioso e sensível, mas, e ele é bem enfático quanto a isso, admite também que não lutar por transformação social é inadmissível. Sujeitar-se à exploração é suicídio e, mesmo que não haja mapa para o futuro, a esperança ainda persiste.
É necessário então, nas palavras do autor, “erodir” o sistema. A erosão seria a combinação de quatro estratégias de combate político e manobrabilidade social: desmonte e domesticação do capitalismo por cima (dismantling and taming from above) e resistência e fuga do capitalismo por baixo (resisting and escaping from below). O que isso quer dizer? São necessárias posturas coordenadas tanto dos agentos políticos quanto da sociedade civil. Devemos resistir às posturas abusivas adotadas pelo establishment (em greves, protestos e demonstrações) ao mesmo tempo que buscamos alternativas em nível local, através do envolvimento nas questões municipais, lutando por decisões mais democráticas e o desenvolvimento de isotes (espaços propícios a isonomia), como economia solidária, processos P2P, maior autonomia financeira e representação partidária. Devemos também politicar sobre os jogos que estão em desenvolvimento e os projetos que estão se formando em uma escala de política nacional. Fortunamente, a persistência do espírito democrático no corpo civil irá reformular os padrões espelhados no Estado, transformando essa estrutura financeira neoliberal em algo cada vez mais isônomo e descentralizado.
Em seu último livro, publicado alguns meses antes de sua morte, Wright não fraqueja em sua condição já debilitada ou admite recuo diante da incerteza de uma suposta transformação social, não. O que ele nos lega é um manifesto conciso de sua ideologia, de uma didática surpreendente e bem direcionada. Um nobre exemplo do verdadeiro espírito revolucionário.
A principal teoria do livro, desenvolvida ao longo dos seis curtos, porém densos, capítulos, é de que o capitalismo faz um péssimo trabalho na distribuição das riquezas que produz e, sistematicamente, cria enormes imbróglios na manutenção da democracia e no desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao bem estar social. Wright, apesar de extremamente pontual em sua crítica, se mostra um tanto cético quanto a possibilidade de uma revolução imediata. Mesmo em relação a revolução gradual, alternativa considerada moderada, ele se mostra duvidoso por ser um processo de difícil previsão ou possibilidade de controle por parte dos agentes sociais, afinal, são incontáveis as variáveis em jogo. Wright reconhece a complexidade da questão e admite as dificuldades em se tratar de um tema tão grandioso e sensível, mas, e ele é bem enfático quanto a isso, admite também que não lutar por transformação social é inadmissível. Sujeitar-se à exploração é suicídio e, mesmo que não haja mapa para o futuro, a esperança ainda persiste.
É necessário então, nas palavras do autor, “erodir” o sistema. A erosão seria a combinação de quatro estratégias de combate político e manobrabilidade social: desmonte e domesticação do capitalismo por cima (dismantling and taming from above) e resistência e fuga do capitalismo por baixo (resisting and escaping from below). O que isso quer dizer? São necessárias posturas coordenadas tanto dos agentos políticos quanto da sociedade civil. Devemos resistir às posturas abusivas adotadas pelo establishment (em greves, protestos e demonstrações) ao mesmo tempo que buscamos alternativas em nível local, através do envolvimento nas questões municipais, lutando por decisões mais democráticas e o desenvolvimento de isotes (espaços propícios a isonomia), como economia solidária, processos P2P, maior autonomia financeira e representação partidária. Devemos também politicar sobre os jogos que estão em desenvolvimento e os projetos que estão se formando em uma escala de política nacional. Fortunamente, a persistência do espírito democrático no corpo civil irá reformular os padrões espelhados no Estado, transformando essa estrutura financeira neoliberal em algo cada vez mais isônomo e descentralizado.
Em seu último livro, publicado alguns meses antes de sua morte, Wright não fraqueja em sua condição já debilitada ou admite recuo diante da incerteza de uma suposta transformação social, não. O que ele nos lega é um manifesto conciso de sua ideologia, de uma didática surpreendente e bem direcionada. Um nobre exemplo do verdadeiro espírito revolucionário.

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