Aqui e Agora
o presente é o único momento no qual o infinito se espreguiça e abraça a realidade em seus contornos indecifráveis. lá é quando eu me apaixono pela realidade a cada nova textura que meus dedos sussurram ao escorrer pelos arredores com a doce liberdade de não procurar por nada e encontrar tudo o que eu preciso. eu me derramo de novo e de novo como se fosse sempre a primeira vez e o mundo está pronto para absolutamente tudo.
sente os laços de camurça que atam seus sapatos?
sente a mão nômade que acaricia o corpo sem motivo?
a calma com que a Lua escala o céu estrelado?
a sincronia das cigarras de todo o mundo?
o negro poeta obcecado pelo seio da donzela?
o amargo poeta clamando por uma noite chuvosa?
as memórias afetuosas de amores passados?
o mesmerizante desenrolar de Deus em plena vista!
ah, a euforia que se esconde em meio a calma!
apenas uma única coisa é pedida em troca:
sua própria eternidade concorrente.

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